O que a ciência diz · 4 min de leitura · Atualizado em 2 de outubro de 2026

Fatores de risco da demência: os 14 que a família ainda pode cuidar

Quem tem pai ou mãe com mais de 70 anos costuma carregar uma dúvida silenciosa: e se for Alzheimer? O medo cresce quando uma tia ou a avó teve a doença. E vem junto a sensação de que não há nada a fazer, de que tudo depende da genética ou da sorte.

A ciência mostra um quadro mais animador. Uma comissão internacional de especialistas reuniu as melhores evidências disponíveis e listou 14 fatores de risco para demência que podem ser mudados. Neste texto você vê quais são, o que ainda vale para quem já passou dos 65 anos e por onde a família pode começar.

O que a pesquisa descobriu

A Comissão Lancet sobre prevenção, intervenção e cuidado da demência reúne especialistas de vários países e é liderada pela professora Gill Livingston, da University College London. Em julho de 2024, o grupo publicou na revista The Lancet a atualização do seu relatório. A conclusão: enfrentar esses 14 fatores ao longo da vida poderia prevenir ou adiar quase metade dos casos de demência, cerca de 45%.

Dois fatores entraram na lista nessa versão: o colesterol LDL alto (o "colesterol ruim") a partir da meia-idade e a perda de visão não tratada na velhice. Os 14, agrupados pela fase da vida em que mais pesam, são:

  • Infância e juventude: menos anos de estudo.
  • Meia-idade: perda auditiva, LDL alto, depressão, traumatismo craniano (pancada forte na cabeça), sedentarismo, diabetes, tabagismo, pressão alta, obesidade e consumo excessivo de álcool.
  • Velhice: isolamento social, poluição do ar e perda de visão não tratada.

E no Brasil? Um estudo liderado pela pesquisadora Claudia Suemoto, da Faculdade de Medicina da USP, publicado em 2025 na revista The Lancet Regional Health – Americas, aplicou o mesmo cálculo aos dados do ELSI-Brasil, grande estudo nacional sobre envelhecimento. O resultado foi ainda maior: quase 60% dos casos de demência no país estariam ligados a esses 14 fatores. Por aqui, a perda de visão não tratada aparece entre os fatores de maior peso, e os autores relacionam isso à dificuldade de acesso ao oftalmologista.

Um limite importante. Esses números são estimativas para a população, calculadas a partir de muitos estudos. Não dizem quanto vai cair o risco de uma pessoa específica, e a demência também depende da idade e da genética, que não mudam. Cuidar dos fatores reduz as chances, mas não é garantia.

O que isso muda para o seu pai ou sua mãe

Mesmo que a lista dê destaque à meia-idade, o relatório é claro: nunca é cedo nem tarde demais para agir. Para quem já é idoso, vários pontos continuam valendo:

  • Audição: se ele aumenta muito o volume da TV ou pede para repetir tudo, vale uma avaliação. O aparelho auditivo, quando indicado, ajuda a manter a conversa e a convivência.
  • Visão: catarata e óculos com grau desatualizado têm solução. Consulta com oftalmologista entra na agenda.
  • Pressão, diabetes e colesterol: acompanhar os valores e seguir o tratamento combinado com o médico, sem mudar remédio por conta própria.
  • Corpo em movimento: caminhada, hidroginástica, exercícios de equilíbrio, sempre dentro do que a pessoa consegue.
  • Convivência: visitas, ligações, grupos e passeios. Sobre isso, veja como a vida social protege a memória.
  • Humor: tristeza que dura semanas ou falta de interesse por tudo merece conversa com o médico, porque depressão tem tratamento.
  • Cigarro e álcool: parar de fumar traz benefício em qualquer idade, e beber menos também.
  • Cabeça protegida: evitar quedas é proteger o cérebro. Tapete solto, banheiro sem barra de apoio e pouca luz à noite são riscos comuns, como mostramos no texto sobre queda de idoso.
  • Ar: em dias de fumaça de queimadas ou ar muito poluído, prefira atividades dentro de casa.

Por onde começar esta semana

  1. Observe uma refeição em família: ele acompanha a conversa quando várias pessoas falam ao mesmo tempo? Se não, peça encaminhamento para avaliação auditiva.
  2. Descubra quando foi a última consulta com o oftalmologista. Se faz tempo, marque.
  3. Separe os últimos exames de colesterol e glicemia e leve para a próxima consulta.
  4. Combine uma caminhada curta, algumas vezes por semana, sempre com alguém junto.
  5. Ande pela casa com olhar de queda: tapete, fio no chão, luz do corredor.
  6. Ligue mais vezes. Conversa também conta.

Como acompanhar na Lumya

Na Lumya, você registra pressão, glicemia e peso com histórico, cadastra os remédios com alertas de horário e guarda exames e receitas num lugar só, compartilhado com o círculo de cuidado. O check-in de humor e o registro de contato social mostram como andam o ânimo e a convivência, e os agentes de IA devolvem uma leitura desses dados ao fim do dia, útil para levar à consulta.

Ninguém controla tudo, e a demência não é culpa de quem "cuidou pouco". Mas muitos desses fatores estão ao alcance da família. Escolha um ou dois desta lista, comece por eles e vá ajustando. Cada pequeno cuidado conta.

Fontes consultadas

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de médicos e outros profissionais de saúde. Em uma emergência, ligue 192 (SAMU).