O que a ciência diz · 5 min de leitura · Atualizado em 26 de outubro de 2026

Estou sobrecarregada cuidando da minha mãe: o que fazer agora

Se você está sobrecarregada cuidando da sua mãe, o primeiro passo é parar de carregar tudo sozinha: liste o que você faz, peça a cada irmão ou parente uma tarefa específica, com dia e hora, e marque uma consulta para você na UBS, contando que é cuidadora. Cansaço que não passa com o sono, irritação, choro fácil e desmarcar as próprias consultas são sinais de que o limite chegou. Se vierem pensamentos de desistir de tudo ou de se machucar, ligue 188 (CVV), de graça e a qualquer hora.

Talvez seja assim: você cuida da sua mãe ou do seu pai, trabalha, dá conta da casa, responde o grupo da família e ainda lembra do remédio das oito. Ninguém pediu exatamente. Foi acontecendo. E, em algum momento, o cansaço deixou de passar com uma noite de sono.

Abaixo, o que as pesquisas dizem sobre quem cuida no Brasil, os sinais de que a sobrecarga chegou ao limite e um plano para dividir o peso e cuidar de você também. Não é sobre achar culpados. É sobre fazer o cuidado caber na vida.

O que a pesquisa mostra sobre quem cuida

O IBGE mede, na PNAD Contínua, o tempo que as pessoas dedicam a afazeres domésticos e ao cuidado de outras pessoas, como crianças, idosos e doentes. Na edição com dados de 2022, divulgada em 2023, as mulheres dedicavam em média 21,3 horas por semana a essas tarefas, contra 11,7 horas dos homens. Quase o dobro. O mesmo levantamento registrou que o cuidado de pessoas idosas aumentou entre 2019 e 2022.

Esse trabalho não aparece no contracheque, mas cobra seu preço. Para medir esse peso, profissionais de saúde usam há décadas a escala de sobrecarga de Zarit: 22 perguntas sobre como o cuidado afeta a vida pessoal, social e financeira e a saúde física e mental de quem cuida. São perguntas como: você sente que não tem tempo para si? Que sua saúde piorou? Que está dividida entre o cuidado e as outras responsabilidades? Um estudo com cuidadores de idosos brasileiros, publicado em 2019 na Revista Colombiana de Psicología, confirmou que a escala funciona bem por aqui. E mostrou que, quanto maior a sobrecarga, pior a qualidade de vida e mais sinais de depressão.

Um aviso honesto: os dados do IBGE contam horas, não cansaço, e somam o cuidado com o serviço da casa. A escala de Zarit é uma ferramenta para profissionais, não um teste para você se diagnosticar sozinha. Mas os dois apontam na mesma direção: cuidar pesa, e pesa mais para as mulheres.

Sinais de que você está no limite

A sobrecarga costuma chegar devagar. Fique atenta se você percebe que:

  • está cansada o tempo todo, mesmo depois de dormir;
  • dorme mal, ou dorme demais;
  • anda irritada, chora com facilidade ou sente uma tristeza que não passa;
  • perdeu o interesse pelo que antes gostava de fazer;
  • tem dores de cabeça ou no corpo com frequência;
  • engordou ou emagreceu sem querer;
  • vive desmarcando as próprias consultas;
  • está recorrendo a álcool, remédios ou comida para aguentar o dia.

Um ou dois sinais em uma fase difícil são comuns. Vários ao mesmo tempo, por semanas, merecem atenção e uma conversa com um profissional.

Quando procurar apoio psicológico

A Unidade Básica de Saúde (UBS) mais perto de você é a porta de entrada no SUS. Conte ao médico ou à enfermeira que você cuida de alguém e como tem se sentido. Se o sofrimento for intenso, a equipe pode encaminhar você ao CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). Psicólogo, terapia e grupos de apoio para cuidadores também ajudam. E não são luxo.

Por onde começar esta semana

  1. Liste tudo o que você faz. Remédios, consultas, compras, contas, banho, visitas. Ver no papel ajuda a pedir com clareza.
  2. Peça uma tarefa específica para cada pessoa. "Você pode levar o pai ao cardiologista na terça?" funciona melhor do que "preciso de ajuda". Quem mora longe pode assumir agendamentos, papéis e pagamentos.
  3. Aceite a ajuda do jeito que ela vier. A comida não vai ficar igual à sua. Tudo bem.
  4. Marque uma consulta para você. Retome os exames atrasados e conte ao seu médico que você é cuidadora.
  5. Reserve um tempo fixo que seja só seu. Meia hora de caminhada, um café com uma amiga. Coloque na agenda como compromisso.
  6. Procure um grupo de apoio. Conversar com quem vive o mesmo alivia e traz ideias práticas. Pergunte na UBS ou em associações ligadas à doença do seu familiar.

Para a conversa com os irmãos, leia quem vai cuidar dos nossos pais. Se você também trabalha fora, veja como cuidar da mãe e trabalhar ao mesmo tempo. Se há demência na família, veja como montar uma rede de apoio no Alzheimer.

Como a Lumya pode ajudar

  • Dividir de verdade: no Círculo de cuidado, cada tarefa tem um responsável e a agenda é compartilhada. Você acompanha de longe sem precisar ligar a cada hora.
  • Cuidar de você: a Lumya também serve para a sua própria saúde. Faça o check-in de humor e escolha a meta "Quero reduzir o estresse", com o registro "Três coisas boas do dia".

Cuidar de quem a gente ama é um gesto bonito, mas não precisa ser solitário nem sem limite. Pedir ajuda não é falhar com seu pai ou sua mãe. É o jeito de continuar cuidando por mais tempo, sem deixar de ser você no caminho.

Perguntas rápidas

Como saber se estou sobrecarregada de verdade?

Vários sinais juntos, por semanas, contam mais do que um dia ruim: cansaço que não passa com o sono, irritação ou tristeza constante, dores frequentes, perda de interesse e desmarcar as próprias consultas. Nesse caso, converse com um profissional.

Onde buscar ajuda pelo SUS?

Na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais perto de casa: conte que você cuida de alguém e como tem se sentido. Se o sofrimento for intenso, a equipe pode encaminhar você ao CAPS.

Como pedir ajuda aos irmãos?

Peça uma tarefa específica, com dia e hora, em vez de dizer “preciso de ajuda”. Quem mora longe pode assumir agendamentos, papéis e pagamentos.

Existe um teste de sobrecarga do cuidador?

Profissionais usam a escala de Zarit, com 22 perguntas, validada para cuidadores de idosos no Brasil. Ela é ferramenta de avaliação, não um teste para se diagnosticar sozinha.

E se eu pensar em desistir de tudo?

Ligue 188: o CVV atende de graça, 24 horas, e também por chat em cvv.org.br. Em risco imediato, ligue 192 (SAMU).

Fontes consultadas

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de médicos e outros profissionais de saúde. Em uma emergência, ligue 192 (SAMU).