Condições de saúde · 5 min de leitura · Atualizado em 20 de outubro de 2026

Tratamento do Alzheimer no Brasil em 2026: o que existe hoje

Quando o Alzheimer do pai ou da mãe é confirmado, a família logo pergunta: existe remédio? Aquele novo, do noticiário, serve para ela? O SUS fornece?

As respostas mudaram desde 2025. Este é o retrato de outubro de 2026, sem promessa de cura e sem pessimismo.

O que os remédios disponíveis fazem e o que não fazem

São dois tipos. Os anticolinesterásicos (donepezila, galantamina e rivastigmina) aumentam uma substância que os neurônios usam para se comunicar e que cai no Alzheimer. A memantina age em outro sistema do cérebro e entra nas fases moderada e grave, sozinha ou combinada.

Eles tratam sintomas: podem ajudar a manter por um tempo memória, atenção e autonomia, com efeito modesto e variável. Nenhum impede a doença de avançar. Nos anticolinesterásicos, náusea, diarreia, perda de apetite e insônia são os efeitos mais comuns; desmaio e pulso lento são menos comuns e devem ser avisados ao médico. Na memantina, os mais comuns são dor de cabeça, cansaço e tontura. Para quem enjoa, existe rivastigmina em adesivo. Trocar ou suspender é sempre decisão médica.

Os quatro estão no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Doença de Alzheimer, atualizado em novembro de 2025, que estendeu a donepezila à fase grave. No SUS, saem pela farmácia do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) do estado. O médico preenche o LME (laudo de solicitação de medicamentos) e a receita e pede os exames que o protocolo exige; a família leva esses papéis e exames, com Cartão Nacional de Saúde, identidade e comprovante de residência, à farmácia indicada pela Secretaria Estadual de Saúde. O pedido é renovado periodicamente.

Os novos anticorpos: lecanemabe e donanemabe

A Anvisa registrou o donanemabe (Kisunla) em abril de 2025 e o lecanemabe (Leqembi) em dezembro de 2025. São anticorpos aplicados na veia que retiram do cérebro as placas de beta-amiloide, proteína típica do Alzheimer. São os primeiros aprovados no Brasil para desacelerar a doença.

O ganho é real, mas limitado. No estudo do lecanemabe (Clarity AD, New England Journal of Medicine, 2023), a piora em 18 meses foi cerca de 27% menor do que com placebo. No do donanemabe (TRAILBLAZER-ALZ 2, JAMA, 2023), a diferença na mesma escala ficou entre 29% e 36%. A doença seguiu avançando, mais devagar.

A indicação é estreita: comprometimento cognitivo leve ou demência leve por Alzheimer, com amiloide confirmado por PET ou exame do líquor (líquido da coluna). Antes, faz-se um teste genético: quem tem duas cópias da variante ε4 do gene ApoE não deve receber o remédio, porque o risco supera o benefício. Quem usa anticoagulante também fica de fora.

O principal risco é a ARIA, sigla para alterações de imagem ligadas ao amiloide: inchaço temporário ou pequenos sangramentos no cérebro. Nos estudos, o inchaço apareceu em cerca de 13% dos tratados com lecanemabe e 24% dos tratados com donanemabe, a maioria sem sintomas. Por isso são exigidas ressonâncias antes e durante o tratamento.

Pela tabela oficial de preços (CMED, ligada à Anvisa), cada aplicação custa milhares de reais só em medicamento, repetida por muitos meses. Nenhum dos dois está no protocolo do SUS, e pareceres técnicos de 2026 registram que o donanemabe ainda não tinha sido avaliado pela Conitec, comissão que decide o que entra no SUS.

O que funciona além do remédio

Fora da farmácia, o que tem mais respaldo nas diretrizes:

  • Estimulação cognitiva em grupo: atividades conversadas que exercitam memória e linguagem, com a melhor evidência nas fases leve e moderada.
  • Atividade física: combinada à estimulação cognitiva e ao convívio, está entre as abordagens que mais reduziram sintomas de depressão em pessoas com demência.
  • Comportamento: cerca de 90% das pessoas terão algum sintoma de comportamento ou humor, como agitação, apatia, ansiedade ou irritação. Primeiro procure o gatilho (dor, fome, barulho, infecção, remédio novo). Para o dia a dia, veja cuidados com Alzheimer em casa.
  • Sono: a diretriz britânica NICE sugere um plano personalizado, com rotina e luz do dia, e não recomenda melatonina para insônia no Alzheimer.
  • Visão e audição: a NICE recomenda exame de vista após o diagnóstico e a cada dois anos, além de avaliação auditiva.
  • Quem cuida: orientação e treino para cuidadores, de preferência em grupo, aliviam a sobrecarga. Onde achar grupos: rede de apoio.

Por que o diagnóstico cedo importa

Segundo o protocolo, só cerca de 20% dos casos de demência no Brasil têm diagnóstico formal. Descobrir cedo permite tratar sintomas, investigar outras causas de esquecimento, planejar decisões com a pessoa e saber se ela pode receber os anticorpos, que só servem no início. Na dúvida entre esquecimento comum e demência, comece por este guia.

Perguntas para levar à consulta

  1. Em que fase está a doença e quais testes mostram isso?
  2. Que remédio faz sentido agora e que efeitos observar?
  3. Dá para receber pelo SUS? Você preenche o LME?
  4. Ela seria candidata aos anticorpos? Com que exames e riscos?
  5. Há estimulação cognitiva ou grupo de exercício perto de casa?

Como a Lumya ajuda

Na Lumya, os remédios têm alerta de horário, registro de dose dada ou esquecida e controle de estoque e receitas. Registros de sono, humor e sintomas viram uma leitura organizada para a consulta. O app não diagnostica nem indica tratamento.

O tratamento do Alzheimer ainda não cura, mas oferece mais do que parece, dentro e fora da farmácia. Leve suas perguntas e decida junto com a equipe, um passo de cada vez.

Fontes consultadas

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de médicos e outros profissionais de saúde. Em uma emergência, ligue 192 (SAMU).