Saúde · 5 min de leitura · Atualizado em 20 de outubro de 2026

Esquecimento ou demência? Tipos, sinais e causas tratáveis

Sua mãe perguntou de novo a que horas é o almoço de domingo. Seu pai não lembrou o nome de um vizinho antigo. E você entrou na cozinha e esqueceu o que tinha ido buscar. Bate a dúvida: é a idade, é cansaço ou é demência?

A resposta vem do conjunto: o que mudou, desde quando e quanto atrapalha a vida. E parte dos problemas de memória tem causas que podem ser tratadas.

Esquecimento comum ou sinal de alerta?

O Instituto Nacional do Envelhecimento dos Estados Unidos (NIA) explica que perder um objeto, esquecer uma conta ou demorar para lembrar um nome costuma ser esquecimento leve. O alerta é quando a memória passa a atrapalhar tarefas que a pessoa sempre fez sozinha.

  • Comum: esquecer um nome e lembrar depois. Alerta: repetir a mesma pergunta várias vezes na mesma conversa.
  • Comum: perder os óculos e refazer o caminho até achar. Alerta: guardar coisas em lugares estranhos e não conseguir refazer o caminho.
  • Comum: errar uma conta no mês. Alerta: não conseguir mais organizar as contas que sempre pagou.
  • Alerta também: se perder num trajeto conhecido ou mudar de personalidade.

E uma palavra para você. A filha de 50 anos que trabalha, cuida dos pais e dorme mal também esquece. Estresse, sono ruim e ansiedade atrapalham a memória em qualquer idade. Vale conversar com seu médico, sem pânico. Se o peso está grande, leia sobre a sobrecarga da mulher que cuida.

Os principais tipos de demência

Demência é a perda de capacidades como memória, linguagem, atenção e julgamento, a ponto de tirar a autonomia. Tem várias causas:

  • Alzheimer: a mais comum. Costuma começar pelo esquecimento de fatos recentes, enquanto lembranças antigas resistem mais.
  • Vascular: ligada à circulação no cérebro, como após AVCs. Muitas vezes aparece primeiro como lentidão para pensar e dificuldade de se organizar.
  • Corpos de Lewy: a atenção oscila muito; pode haver visões de coisas que não estão lá, agitação durante os sonhos, tremor ou rigidez.
  • Frontotemporal: costuma começar por mudanças de comportamento, personalidade ou linguagem, como impulsividade ou perda do filtro social.
  • Mista: mais de uma causa ao mesmo tempo, como Alzheimer e alterações vasculares. É frequente depois dos 80.

Quem define o tipo é o médico. Sobre prevenção, veja os 14 fatores de risco que podem ser mudados.

Causas tratáveis que precisam ser investigadas

Antes de falar em demência, o médico procura condições que imitam ou pioram a memória. O Ministério da Saúde orienta avaliar depressão e fazer exames de sangue, com atenção à tireoide e à vitamina B12. As recomendações da Academia Brasileira de Neurologia (revista Dementia & Neuropsychologia, 2022) incluem ainda exame de imagem do cérebro, como tomografia ou ressonância.

  • Falta de vitamina B12: pode afetar a memória e aparece num exame de sangue.
  • Hipotireoidismo: a tireoide lenta pode deixar a pessoa lenta e desatenta.
  • Depressão: no idoso, pode aparecer como desânimo, falta de concentração e queixa de memória.
  • Efeitos de remédios: calmantes da família dos benzodiazepínicos e remédios anticolinérgicos (alguns antialérgicos, antidepressivos antigos e remédios para bexiga) podem causar confusão e lapsos. A Sociedade Americana de Geriatria recomenda, em geral, evitá-los em idosos. Nunca suspenda por conta própria: fale com o médico.
  • Delirium por infecção: infecção urinária, pneumonia ou desidratação podem causar confusão que se instala em horas ou dias.
  • Perda auditiva: quem não ouve bem não registra o que foi dito, e isso parece esquecimento.
  • Hidrocefalia de pressão normal: acúmulo de líquido no cérebro que costuma juntar dificuldade para andar, perda do controle da urina e piora da memória.
  • Apneia do sono: ronco alto e pausas na respiração fragmentam o sono e prejudicam atenção e memória.

Tratar essas condições pode melhorar muito a memória, mas nem sempre resolve tudo, porque às vezes elas convivem com uma demência.

Como pedir a avaliação

No SUS, comece pela Unidade Básica de Saúde (UBS): o médico de família faz a primeira avaliação, pede exames e encaminha ao geriatra, neurologista ou psiquiatra se precisar. No convênio, o geriatra ou o neurologista podem ser o primeiro passo.

Antes da consulta:

  1. Anote exemplos concretos por duas ou três semanas. "Deixou o fogão aceso duas vezes este mês" diz mais do que "anda esquecida".
  2. Registre desde quando e se começou aos poucos ou de repente.
  3. Liste todos os remédios, inclusive os sem receita, chás e suplementos.
  4. Separe exames recentes.
  5. Converse antes com seu pai ou sua mãe, sem tom de acusação, e deixe que fale primeiro na consulta.

Veja também o que levar à consulta médica.

Como a Lumya ajuda

Registros de humor, sono e sintomas, a lista de remédios e o histórico de doses dadas ou esquecidas viram um diário para mostrar ao médico, compartilhado com o círculo de cuidado. A Lumya não diagnostica, mas ajuda a chegar à consulta com fatos.

Desconfiar da memória de quem a gente ama assusta. Observar com calma e pedir avaliação cedo é uma forma respeitosa de cuidar, e dá ao seu pai ou à sua mãe voz nas próprias escolhas.

Fontes consultadas

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de médicos e outros profissionais de saúde. Em uma emergência, ligue 192 (SAMU).